O Conselho do Banco Central Europeu (BCE) reúne-se no próximo dia 23 de julho de 2026 para decidir a política monetária da Zona Euro. Esta será uma das reuniões mais aguardadas do verão, com impacto direto nas taxas Euribor e, por consequência, nas prestações do crédito habitação de milhares de famílias portuguesas.
O que esperam os mercados?
Depois de um ciclo agressivo de subidas entre 2022 e 2023, o BCE iniciou um movimento de descida das taxas diretoras. Os analistas antecipam que a reunião de julho possa trazer um novo corte de 25 pontos base, colocando a taxa de depósito abaixo dos atuais níveis.
A confirmar-se, será mais um passo na normalização da política monetária europeia, que continua a equilibrar dois objetivos: controlar a inflação e evitar uma travagem económica excessiva.
Euribor já reflete expectativas
As taxas Euribor — que servem de referência para a maioria dos créditos habitação em Portugal — já estão a recuar gradualmente. No último dia útil antes do fim de semana (3 de julho), os valores eram:
| Maturidade | Taxa |
|---|---|
| 1 mês | 2,205% |
| 3 meses | 2,321% |
| 6 meses | 2,554% |
| 12 meses | 2,709% |
A Euribor a 12 meses, a mais utilizada nos créditos habitação portugueses, recuou dos 2,733% registados a 2 de julho, refletindo a expectativa de um BCE mais brando.
O que significa para as prestações?
Uma descida das taxas diretoras do BCE tende a pressionar a Euribor em baixa. Para quem tem crédito habitação com taxa variável — indexada à Euribor a 3, 6 ou 12 meses —, a atualização da prestação será feita no mês de revisão do contrato. Se a tendência de descida se mantiver, as famílias poderão sentir um alívio progressivo ao longo do segundo semestre de 2026.
Para quem está a pensar contratar um novo crédito, este pode ser um bom momento para comparar propostas: com a Euribor em queda, as prestações iniciais são mais baixas, e há bancos a oferecer spreads mais competitivos para captar novos clientes.
E se preferir taxa fixa ou mista?
Com a expectativa de novas descidas, a taxa mista — que fixa a prestação durante um período inicial (normalmente 1 a 5 anos) e depois passa a variável — continua a ser a opção mais escolhida pelos portugueses. Segundo o Banco de Portugal, cerca de 75% do novo crédito habitação em 2025 foi contratado a taxa mista.
A taxa fixa, por outro lado, pode ser vantajosa para quem valoriza a previsibilidade total da prestação, especialmente num cenário internacional ainda incerto.
Fontes: Euribor-rates.eu, Banco de Portugal
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