O Banco Central Europeu (BCE) decidiu voltar a subir as taxas de juro diretoras em 25 pontos base, depois de as manter inalteradas durante sete reuniões consecutivas. A decisão, anunciada na semana passada, surge num contexto de subida da inflação na Zona Euro e de incerteza geopolítica provocada pelo conflito no Médio Oriente.
Lagarde: “economia continua frágil”
A presidente do BCE, Christine Lagarde, não escondeu a preocupação. Esta segunda-feira, 22 de junho, afirmou que a situação económica da Zona Euro “continua frágil”, apesar do recente acordo alcançado no Médio Oriente. Lagarde defendeu ainda o aumento “sólido” das taxas de juro como necessário para conter as pressões inflacionistas.
A subida das taxas diretoras tem um efeito direto em cadeia: os bancos comerciais passam a pagar mais para se financiarem junto do BCE, e esse custo adicional é transferido para o crédito concedido a famílias e empresas.
O que significa para o crédito habitação?
Para as famílias portuguesas com crédito habitação, a notícia não é animadora. A prestação da casa, indexada à Euribor, deverá continuar a subir:
- Euribor a 12 meses disparou de 2,748% para 2,789% em apenas um dia (19 de junho), refletindo a antecipação do mercado à decisão do BCE.
- Euribor a 6 meses também subiu, fixando-se nos 2,622%.
- As taxas de curto prazo (1 e 3 meses) mantêm uma trajetória ascendente desde meados de junho.
Como se proteger? Conselhos da DECO
Num artigo publicado esta terça-feira, a DECO Alerta deixa várias recomendações às famílias:
- Rever o orçamento familiar — identificar despesas que podem ser reduzidas para acomodar o aumento da prestação.
- Amortizar o crédito — se tiver poupanças disponíveis, amortizar capital pode reduzir significativamente os juros futuros.
- Transferir o crédito — comparar propostas de outros bancos pode revelar spreads mais baixos. A diferença numa prestação de 150.000 euros pode chegar a várias dezenas de euros por mês.
- Avaliar a taxa fixa ou mista — proteger uma parte do empréstimo das flutuações da Euribor pode trazer estabilidade ao orçamento.
Subida ainda não travou investimento… para já
Apesar da pressão nos juros, os dados do INE revelam que a taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito habitação caiu em maio para o valor mais baixo em três anos — um reflexo do peso dos contratos mais antigos com spreads reduzidos. Mas o efeito das novas subidas ainda não se fez sentir nos números agregados, e os próximos meses podem contar uma história diferente.
Fontes: idealista/news, Euribor Rates, DECO
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