Num contexto de incerteza geopolítica e pressão inflacionista, o mercado tem especulado sobre o rumo das taxas de juro na Zona Euro. Mas nem todos partilham da visão mais pessimista. Karen Ward, responsável pela estratégia de investimento da JPMorgan Asset Management para a Europa, revelou em entrevista ao ECO que não acredita em subidas significativas das taxas de juro por parte do Banco Central Europeu (BCE).
Apenas uma subida em 2026
Em sentido contrário ao que projetam muitos analistas, Karen Ward afasta a possibilidade de um ciclo agressivo de aumentos de juros na Europa. A estratega-chefe da JPMorgan AM antevê apenas “uma ou duas” mexidas nas taxas por parte do BCE em 2026, o que representa um cenário mais favorável para quem tem crédito habitação.
“Não acho que os bancos centrais vão aumentar as taxas de juro de forma significativa”, afirmou Karen Ward em entrevista ao ECO, à margem de uma conferência onde a gestora apresentou as suas perspetivas para os mercados.
O contexto atual
A guerra no Irão e a escalada dos preços da energia criaram uma “tempestade” na economia global, cujo impacto dependerá da evolução do preço do petróleo. No entanto, Karen Ward mantém-se confiante numa resolução do conflito no curto prazo, sublinhando que “não há incentivos para os EUA ou o Irão desejarem um conflito prolongado”.
Quando os navios voltarem a passar pelo Estreito de Ormuz, os preços do petróleo poderão “bastante rapidamente” voltar a negociar em torno dos 80 ou 90 dólares por barril, aliviando a pressão inflacionista.
O que significa para o crédito habitação?
Se as previsões da JPMorgan se confirmarem, o impacto no crédito habitação em Portugal poderá ser positivo:
- Euribor mais estável — Sem subidas agressivas das taxas de juro, a Euribor tende a manter-se em níveis mais comportáveis, evitando novos aumentos significativos nas prestações.
- Previsibilidade para as famílias — Um cenário de taxas estáveis permite às famílias planear o seu orçamento com maior segurança.
- Janela de oportunidade — Este pode ser o momento ideal para fixar a sua taxa de juro ou renegociar o seu crédito, antes de eventuais subidas pontuais.
E se o cenário mudar?
Apesar das previsões otimistas, Karen Ward admite que “se continuarmos por semanas e semanas e ainda não houver um acordo [de paz], os mercados vão cair”. Por isso, é importante estar preparado.
Se tem crédito habitação, considere estas opções:
- Simule a taxa mista — Combine períodos de taxa fixa com taxa variável para obter o melhor dos dois mundos.
- Renegocie o spread — Com a concorrência entre bancos a aumentar, pode conseguir uma redução do spread do seu crédito atual.
- Transfira o seu crédito — A transferência de crédito habitação continua a ser uma das formas mais eficazes de reduzir a prestação mensal.
Conclusão
As previsões da JPMorgan apontam para um cenário de estabilidade nas taxas de juro em 2026, o que é uma boa notícia para as famílias portuguesas com crédito habitação. No entanto, num contexto geopolítico volátil, o melhor conselho continua a ser o mesmo: esteja atento às oportunidades e não hesite em renegociar o seu crédito se encontrar melhores condições no mercado.
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