A oferta de casas novas à venda em Portugal mais do que duplicou nos últimos cinco anos, mas continua muito aquém das necessidades do país. Os dados mais recentes do idealista mostram que o stock de imóveis novos disponíveis atingiu quase 21.000 unidades no final de 2025 — mais do dobro das cerca de 8.200 registadas no final de 2020.
Oferta cresce, mas é rapidamente absorvida
Apesar do aumento expressivo da oferta, a procura continua a absorver rapidamente as casas novas colocadas no mercado. O resultado é que os preços não cedem — pelo contrário, continuam a subir.
As casas novas tendem a ser significativamente mais caras do que as usadas. Em muitos casos, estão fora do alcance das famílias portuguesas de rendimento médio, que competem com compradores estrangeiros e investidores.
Onde estão as casas novas?
A concentração geográfica é um dos principais desafios. Segundo o relatório do idealista:
- Lisboa e Porto representam quase 75% da oferta de casas novas entre as grandes cidades
- Funchal (5,9%), Braga (3%), Faro (2,9%) e Setúbal (2,9%) completam o topo da tabela
- No interior — Portalegre, Vila Real, Guarda — a oferta de construção nova é residual
Esta concentração urbana reflete a atratividade dos grandes centros para promotores imobiliários, mas agrava o problema de acesso à habitação no litoral e de despovoamento do interior.
Licenciamento em alta, mas aquém do necessário
O ritmo de licenciamento de casas novas está no nível mais alto em cinco anos, mas os promotores imobiliários alertam que Portugal precisa de pelo menos 70 mil novas casas por ano para responder à procura. O país ainda está longe desse número.
A falta de mão de obra qualificada na construção, os custos dos materiais e a burocracia nos processos de licenciamento camarário continuam a ser os principais obstáculos apontados pelo setor.
O que muda para quem quer comprar casa?
Para as famílias que procuram casa, o cenário atual exige planeamento e apoio especializado:
- Comparar créditos — com a Euribor em trajetória de descida (12 meses a 2,709%), as condições de financiamento estão mais favoráveis do que há um ano
- Avaliar zonas emergentes — para além de Lisboa e Porto, cidades como Braga, Aveiro e Leiria oferecem preços mais acessíveis com qualidade de vida
- Considerar taxa mista — fixar a prestação nos primeiros anos pode dar segurança num mercado de preços ainda elevados
Fonte: idealista/news
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