A poupança das famílias portuguesas em certificados de aforro registou em maio o maior salto mensal dos últimos três anos, segundo dados revelados esta semana. O montante aplicado nestes produtos de dívida pública voltou a acelerar, num movimento que reflete a postura cautelosa dos aforradores perante um cenário de taxas de juro ainda elevadas e incerteza geopolítica.
Porque é que as famílias estão a poupar mais?
O contexto económico de 2026 tem sido marcado por vários fatores que incentivam a poupança. A Euribor a 12 meses, que serve de referência para a maioria dos créditos habitação em Portugal, mantém-se acima dos 2,7%, pressionando as prestações da casa. Ao mesmo tempo, a subida das taxas diretoras do Banco Central Europeu (BCE) em junho tornou os certificados de aforro mais atrativos, com taxas de remuneração mais competitivas face a depósitos a prazo tradicionais.
A guerra no Médio Oriente e a consequente instabilidade nos preços da energia também pesam nas decisões das famílias, que preferem reforçar a almofada financeira em vez de assumir novos compromissos de crédito.
O que isto significa para o crédito habitação?
O aumento da poupança em certificados de aforro tem duas leituras para quem tem ou pondera contratar um crédito habitação. Por um lado, mostra que as famílias estão a preparar-se para um cenário de prestações mais elevadas durante mais tempo — o Banco de Portugal já alertou que o investimento na habitação deverá abrandar com novas subidas da Euribor.
Por outro lado, ao acumularem poupança, as famílias ficam em melhor posição para negociar com os bancos, seja para aumentar a entrada inicial na compra de casa, seja para amortizar antecipadamente o crédito. A decisão entre amortizar o crédito habitação ou manter a poupança em certificados de aforro depende das taxas de cada produto e do perfil de cada família — mas ter opções é sempre uma vantagem.
E os depósitos a prazo?
Apesar do crescimento dos certificados de aforro, os depósitos a prazo continuam a ser o instrumento de poupança mais comum em Portugal. Contudo, as taxas médias oferecidas pelos bancos nacionais continuam abaixo da remuneração dos certificados, o que explica a migração de aforradores para a dívida pública.
Para quem está a planear a compra de casa, é importante comparar o custo do crédito habitação com o retorno da poupança. Se a taxa de juro do empréstimo for superior à remuneração dos certificados, amortizar pode ser a melhor estratégia.
Peça já a sua simulação gratuita e descubra quanto pode poupar no seu crédito habitação.
Fontes:
- Jornal de Negócios, Poupanças das famílias nos certificados de aforro dão maior salto em três anos, 19/06/2026
- Banco de Portugal, indicadores de poupança, maio 2026