O mercado de crédito habitação em Portugal registou um crescimento expressivo em 2025. Segundo dados compilados pelo Doutor Finanças, os bancos concederam quase 23,4 mil milhões de euros em novos empréstimos para compra de casa, mais 9,1 mil milhões de euros do que no ano anterior. Isto representa um aumento de praticamente 35% face a 2024.
O volume de crédito concedido é o mais elevado desde 2022, ano em que a procura disparou antes da subida das taxas Euribor. A recuperação coincide com um período de maior estabilidade nas taxas de juro, depois de o BCE ter mantido as taxas diretoras inalteradas durante sete reuniões consecutivas, até à recente subida de 25 pontos base anunciada em junho de 2026.
O que explica este crescimento?
A procura por crédito habitação foi impulsionada por vários fatores:
- Descida gradual da Euribor ao longo dos últimos 18 meses, antes do recente repique
- Maior confiança das famílias na economia e no mercado de trabalho
- Estabilização dos preços das casas, que continuam elevados mas com um ritmo de crescimento mais moderado
- Competição entre bancos, que continuaram a oferecer spreads atrativos para captar novos clientes
Taxa mista continua a dominar
Ainda que a taxa variável tenha recuperado algum terreno em 2025, a taxa mista representa cerca de 75% dos novos contratos, segundo o Relatório de Acompanhamento dos Mercados de Crédito do Banco de Portugal. Este produto combina uma taxa fixa inicial (geralmente 2 a 5 anos) com uma taxa variável no período remanescente, oferecendo previsibilidade às famílias sem abdicar de poupanças potenciais no futuro.
O que esperar para 2026?
Com a recente subida das taxas do BCE em 25 pontos base e as tensões geopolíticas no Médio Oriente, a Euribor voltou a subir nos últimos dias. A taxa a 12 meses situa-se agora nos 2,817% (23 de junho de 2026), o que pode arrefecer ligeiramente a procura nos próximos meses. No entanto, os bancos mantêm-se ativos na concessão de crédito e os spreads baixos continuam a compensar parcialmente a subida da Euribor.
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Fontes: Doutor Finanças, Banco de Portugal