Os jovens portugueses que sonham comprar a primeira casa enfrentam uma encruzilhada em 2026. Os principais apoios ao crédito habitação jovem — a isenção de IMT, a garantia pública e as condições especiais de financiamento — podem terminar no final do ano, colocando pressão sobre quem ainda não deu o passo.
Neste artigo, explicamos o que está em causa, o que pode perder se esperar por 2027 e se compensa avançar já.
O que são os apoios ao Crédito Habitação Jovem?
Atualmente, os jovens até 35 anos podem beneficiar de três grandes apoios na compra da primeira casa:
1. Isenção de IMT
O Imposto Municipal sobre Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT) pode representar milhares de euros no momento da compra. Para um imóvel de 200.000 euros, o IMT pode chegar aos 4.000 euros. A isenção para jovens elimina este custo, desde que o imóvel não ultrapasse o valor de referência (cerca de 316.000 euros).
Se o apoio acabar: voltará a pagar IMT, o que significa menos capacidade de poupança para a entrada da casa.
2. Garantia pública do Estado
A garantia pública permite que os jovens comprem casa sem necessidade de entrada inicial (até 100% de financiamento). O Estado funciona como fiador perante o banco, cobrindo até 15% do valor do imóvel.
Se o apoio acabar: os bancos voltarão a exigir uma entrada de 10% a 15% do valor do imóvel — o que pode representar 20.000 a 30.000 euros para um apartamento de 200.000 euros.
3. Condições especiais nos bancos
Vários bancos portugueses oferecem condições especiais para jovens no âmbito deste programa: spreads mais baixos, isenção de comissões e seguros com descontos.
Se o apoio acabar: estas condições podem desaparecer, tornando o crédito mais caro.
As contas: comprar agora vs esperar
| Cenário | Com apoios (2026) | Sem apoios (2027) |
|---|---|---|
| Preço do imóvel | 200.000 € | 200.000 € |
| Entrada necessária | 0 € (garantia pública) | 20.000-30.000 € |
| IMT a pagar | 0 € (isenção) | ~4.000 € |
| Spread médio | 0,85% | 1,00-1,20% |
| Prestação mensal (estimada) | ~750 € | ~810 € |
A diferença é significativa: quem comprar com os apoios pode poupar mais de 30.000 euros entre entrada, impostos e juros ao longo do crédito.
O que diz o mercado?
O Doutor Finanças alerta que o programa de apoios ao crédito habitação jovem pode não ser renovado, uma vez que o Orçamento do Estado para 2027 ainda não contempla a sua continuidade.
Entretanto, as taxas de juro estão a subir — o BCE já aumentou as taxas diretoras para 2,25% — e as prestações da casa já sobem há oito meses consecutivos. Esperar pode significar:
- Perder a isenção de IMT (poupança de milhares de euros)
- Precisar de uma entrada maior (dificuldade acrescida)
- Enfrentar taxas de juro ainda mais altas
A conjugação do fim dos apoios com a subida das taxas de juro cria uma janela de oportunidade que pode estar a fechar-se.
Compensa avançar já?
Para jovens com estabilidade profissional e capacidade financeira para suportar a prestação, a resposta é sim, compensa avançar já. Os motivos:
- Garantia pública: evita a necessidade de poupar 20.000-30.000 euros para a entrada
- Isenção de IMT: poupança imediata de milhares de euros
- Taxas de juro: fixar um spread mais baixo agora protege contra futuras subidas
- Preços das casas: a procura pode aumentar no final do ano com o receio do fim dos apoios, pressionando os preços
Se está a ponderar comprar casa, este é o momento de agir — 2027 pode trazer condições significativamente menos favoráveis.
Peça já a sua simulação gratuita e descubra quanto pode poupar com o Crédito Habitação Jovem.
Fontes: Doutor Finanças, Banco de Portugal, idealista/news