A evolução das taxas de juro voltou a estar no centro das atenções das famílias portuguesas com crédito habitação. As notícias mais recentes apontam para uma decisão relevante do Banco Central Europeu (BCE): a taxa diretora subiu para 2,25%, num contexto em que a inflação continua a preocupar a Zona Euro. Ao mesmo tempo, a Euribor tem mostrado movimentos diferentes consoante o prazo, com a Euribor a 3 meses a subir para níveis que não eram vistos desde 2025, enquanto alguns prazos mais longos têm oscilado de forma menos uniforme.
Para quem tem crédito habitação indexado à Euribor, isto significa que a prestação pode voltar a sentir pressão, sobretudo nas revisões dos contratos com taxa variável. Mesmo quando o aumento mensal parece pequeno, a diferença acumulada ao longo de vários meses pesa no orçamento familiar.
Porque é que a decisão do BCE importa?
A Euribor não é definida diretamente pelo BCE, mas reage às expectativas do mercado sobre a política monetária. Quando o BCE sinaliza taxas mais altas ou maior preocupação com a inflação, os bancos antecipam esse cenário no mercado interbancário. É por isso que as notícias sobre o BCE acabam por chegar rapidamente à prestação da casa.
Nos contratos com Euribor a 3, 6 ou 12 meses, o impacto surge na data de revisão. Quem reviu recentemente o contrato pode não sentir a mudança de imediato; quem tem revisão nas próximas semanas deve preparar-se para simular o novo valor da prestação.
O que devem fazer as famílias agora?
O primeiro passo é perceber qual é o indexante do contrato, quando será a próxima revisão e qual o spread aplicado. Depois, vale a pena comparar alternativas no mercado. Em muitos casos, uma taxa mista pode dar previsibilidade nos primeiros anos e evitar oscilações bruscas. Noutros, a transferência de crédito para outro banco pode permitir reduzir o spread, rever produtos associados ou melhorar o seguro de vida.
Também é importante não olhar apenas para a prestação inicial. Um crédito habitação deve ser analisado pelo custo total, pela flexibilidade de amortizações e pelas condições dos seguros. Uma proposta aparentemente mais baixa pode sair mais cara se exigir produtos adicionais pouco competitivos.
A oportunidade está na comparação
Num período de Euribor instável, a melhor defesa é comparar propostas antes da revisão da prestação. Mesmo que não mude de banco, ter propostas concorrentes pode ajudar numa renegociação com a instituição atual.
Se a sua prestação subiu ou se prevê uma revisão em breve, este é o momento certo para fazer contas, analisar cenários e perceber se existe margem para poupança.
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