A Euribor voltou a subir esta semana, invertendo a breve tendência de descida registada nas quatro sessões anteriores. As taxas interbancárias dispararam em todas as maturidades, com a Euribor a 1 semana a saltar de 1,889% para 2,041% em apenas cinco dias úteis — uma subida de 15 pontos base que não passou despercebida a quem tem crédito habitação.
Euribor a 12 meses nos 2,759%
A taxa a 12 meses — a mais utilizada nos contratos de crédito habitação em Portugal — fixou-se nos 2,759% no dia 17 de junho, ligeiramente acima dos 2,755% da véspera. Embora ainda esteja abaixo dos 2,874% registados a 12 de junho, a inversão da tendência descendente é clara. As maturidades mais curtas foram as que mais subiram:
- Euribor a 1 semana: 1,889% → 2,041% (+15,2 p.b.)
- Euribor a 1 mês: 2,129% → 2,246% (+11,7 p.b.)
- Euribor a 3 meses: 2,401% → 2,417% (+1,6 p.b.)
- Euribor a 6 meses: 2,617% → 2,607% (-1,0 p.b.)
- Euribor a 12 meses: 2,846% → 2,759% (-8,7 p.b.)
O que explica esta inversão?
A tensão geopolítica no Médio Oriente e o cancelamento das negociações de paz entre EUA e Irão esta sexta-feira estão a pressionar os preços do petróleo, que voltaram a negociar acima dos 80 dólares. Esta pressão inflacionista pode obrigar o Banco Central Europeu (BCE) a manter uma política monetária mais restritiva durante mais tempo, adiando cortes nas taxas diretoras que o mercado esperava para o final do ano.
O próprio Banco de Portugal (BdP) reviu em alta as projeções de inflação para 2026, num contexto marcado pelo conflito no Médio Oriente, e manteve as estimativas de crescimento económico.
Impacto nas prestações da casa
Com a Euribor a 12 meses a rondar os 2,76%, quem tem um crédito habitação indexado a esta taxa e for rever o indexante nos próximos meses poderá enfrentar um agravamento da prestação mensal. A prestação média em Portugal já subiu durante oito meses consecutivos, fixando-se nos 428 euros em abril de 2026, segundo o BdP, mais 3 euros do que no mês anterior.
Para um empréstimo de 150.000 euros a 30 anos com spread de 1%, a diferença entre uma Euribor a 2,5% e 2,75% representa cerca de 20 euros adicionais por mês — ou 240 euros por ano.
O que pode fazer?
Num cenário de taxas de juro elevadas e voláteis, a transferência de crédito habitação continua a ser uma das formas mais eficazes de reduzir a prestação. Bancos diferentes praticam spreads diferentes, e a concorrência no mercado português mantém-se ativa.
Outra opção é a consolidação de créditos, que permite unificar vários empréstimos numa única prestação, muitas vezes com condições mais favoráveis. A taxa mista também ganha relevância num contexto de incerteza, oferecendo uma prestação fixa durante os primeiros anos e variável depois.
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Fontes: Euribor Rates, idealista/news, Banco de Portugal