A Reserva Federal dos EUA (Fed) inicia esta terça-feira, 16 de junho, a sua reunião de dois dias sobre política monetária, com a decisão sobre as taxas de juro a ser anunciada na quarta-feira. Embora pareça um evento distante, a decisão da Fed tem impacto direto nas taxas Euribor e, por conseguinte, na prestação da casa de milhares de famílias portuguesas.
O que está em cima da mesa?
O mercado antecipa que a Fed mantenha as taxas de juro inalteradas no intervalo atual de 4,25%-4,50%, após o ciclo de cortes iniciado em setembro de 2025. No entanto, as atenções estão viradas para:
- Os comentários de Jerome Powell — o presidente da Fed pode dar pistas sobre os próximos movimentos
- As projeções económicas atualizadas — o chamado “dot plot” mostra onde os membros da Fed veem as taxas no final do ano
- O impacto do acordo EUA-Irão — a queda do petróleo e a redução das tensões geopolíticas alteram o cenário inflacionista
Se a Fed sinalizar que vai abrandar o ritmo de cortes, as taxas de longo prazo podem subir — e a Euribor, que é influenciada pelo mercado interbancário europeu, tenderá a acompanhar.
Como a Fed influencia a Euribor?
A relação entre a Fed e a Euribor não é direta, mas existe um canal de transmissão claro:
- Taxas de juro globais — quando a Fed sobe ou mantém taxas altas, o dólar fortalece-se e as yields das obrigações sobem globalmente
- Mercado interbancário europeu — a Euribor reflete o custo do dinheiro entre bancos europeus, mas é influenciada pelo contexto global
- Taxa de câmbio EUR/USD — um dólar mais forte pressiona a inflação importada na Europa, o que pode levar o BCE a manter uma postura mais restritiva
Na prática, uma Fed mais hawkish (favorável a juros altos) significa maior pressão sobre a Euribor, e vice-versa.
Contexto português: o que significa para si?
Esta reunião da Fed acontece numa altura particularmente sensível para as famílias portuguesas:
- A prestação média da casa subiu pelo oitavo mês consecutivo, fixando-se nos 428 euros em abril
- O BCE já subiu as taxas para 2,25% (em vigor a partir de 17 de junho)
- A Euribor a 6 meses (a mais usada em Portugal) mantém-se acima dos 2,5%
Se a Fed sinalizar que está disposta a cortar taxas ainda este ano, isso pode:
- Aliviar a pressão sobre a Euribor, travando novas subidas
- Reduzir as expectativas de inflação, dando mais margem ao BCE
- Melhorar o sentimento dos mercados, beneficiando quem tem investimentos
Se a Fed mantiver um tom restritivo (devido à inflação persistente), pode:
- Manter a Euribor pressionada por mais tempo
- Atraso no alívio das prestações esperado por muitas famílias
O que esperar?
Os analistas do Jornal de Negócios apontam para três cenários:
| Cenário | Probabilidade | Impacto na Euribor |
|---|---|---|
| Fed mantém taxas, tom neutro | 60% | Euribor estável |
| Fed sinaliza cortes futuros | 25% | Euribor recua ligeiramente |
| Fed surpreende com subida | 15% | Euribor sobe |
O cenário mais provável é o de manutenção com tom cauteloso, o que deverá manter a Euribor nos níveis atuais sem grandes sobressaltos.
Para quem tem crédito habitação a taxa variável, a reunião da Fed desta semana é mais um sinal de que o ambiente de taxas elevadas veio para ficar, pelo menos no curto prazo. Avaliar a transferência do crédito ou a renegociação do spread continua a ser uma decisão prudente.
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Fontes: Jornal de Negócios, Bloomberg, Banco Central Europeu, Reserva Federal dos EUA