Num contexto de taxas de juro ainda elevadas, os dados do Banco de Portugal mostram uma realidade surpreendente: o incumprimento no crédito habitação voltou a recuar em 2025 e mantém-se em mínimos históricos. Ao mesmo tempo, as famílias fizeram menos amortizações antecipadas, sinalizando uma normalização do comportamento financeiro após a crise da Euribor.
Incumprimento no valor mais baixo de sempre
De acordo com os dados revelados pelo idealista/news com base em estatísticas do BdP, o rácio de crédito vencido (non-performing loans) no segmento da habitação situa-se em níveis residuais — abaixo de 1% da carteira total. Este é o valor mais baixo desde que há registo, refletindo a resiliência das famílias portuguesas mesmo num cenário de prestações mais elevadas.
Vários fatores explicam esta tendência:
- Taxa de emprego em máximos históricos — o mercado de trabalho português manteve-se robusto
- Recomendação macroprudencial do BdP — os bancos foram obrigados a aplicar critérios mais conservadores na concessão de crédito, filtrando mutuários de maior risco
- Poupanças acumuladas durante a pandemia que serviram de almofada
- Spread banking mais competitivo e renegociação de condições, que aliviaram o esforço financeiro das famílias
Menos amortizações antecipadas
Outro dado relevante: o número de reembolsos totais ou parciais antecipados caiu 16,2% e o capital amortizado desceu 7,2% face a 2024. Este movimento sugere que as famílias deixaram de sentir a urgência de reduzir a dívida rapidamente, como aconteceu durante o pico da Euribor em 2023 e 2024.
A prudência mantém-se
Apesar dos indicadores positivos, a recente subida das taxas do BCE em junho de 2026 e a incerteza geopolítica recomendam cautela. O Banco de Portugal mantém a recomendação de que os bancos devem testar a capacidade de pagamento dos mutuários com uma folga de 1,5% face à taxa contratada.
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Fontes: idealista/news, Banco de Portugal