O incumprimento no crédito habitação voltou a recuar em 2025, mantendo-se em mínimos históricos, ao mesmo tempo que as famílias portuguesas reduziram significativamente as amortizações antecipadas dos seus empréstimos. Os dados mostram uma normalização do comportamento das famílias, depois do pico de reembolsos que marcou o período mais agressivo da crise das taxas Euribor.
Incumprimento em mínimos históricos
A taxa de incumprimento no crédito habitação continua a sua trajetória descendente, fixando-se em valores historicamente baixos. Este indicador reflete a resiliência das famílias portuguesas e a melhoria gradual das condições económicas — apesar do contexto de taxas de juro ainda elevadas face ao período pré-2022.
A manutenção do incumprimento em níveis mínimos é um sinal positivo para o sistema bancário português e para o mercado imobiliário em geral. Mostra que, mesmo num cenário de Euribor acima dos 2%, as famílias continuam a conseguir honrar os seus compromissos.
Reembolsos antecipados em queda
Os dados mais recentes revelam uma queda expressiva nas amortizações antecipadas. O número de reembolsos totais ou parciais caiu 16,2% face a 2024. Já o capital amortizado antecipadamente baixou 7,2% no mesmo período.
Esta redução é explicada por dois fatores principais:
- Taxas de juro em descida: a Euribor tem vindo a cair gradualmente, reduzindo a pressão sobre as prestações e o incentivo para amortizar antecipadamente.
- Normalização pós-crise: o pico de reembolsos verificado durante a crise das taxas Euribor foi um fenómeno pontual, motivado pelo choque nas prestações das famílias com créditos a taxa variável.
O que esperar nos próximos meses?
Com a Euribor a manter uma trajetória de descida moderada e a inflação a dar sinais de estabilização, o cenário mais provável é de continuação desta tendência — incumprimento controlado e menor pressão para amortizações antecipadas.
Para quem está a pensar contratar um crédito habitação, este é um bom momento para comparar condições entre bancos. A taxa mista continua a ser a opção preferida dos portugueses, mas a taxa variável tem vindo a ganhar terreno à medida que a Euribor desce.
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