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Inflação ainda vai subir antes de desacelerar — impacto nas prestações da casa

Inflação na Zona Euro deverá subir nos próximos meses antes de aliviar, apesar da queda do petróleo. BCE sinaliza que taxas podem continuar a subir. Saiba o que espera o seu crédito habitação.

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Inflação ainda vai subir antes de desacelerar — impacto nas prestações da casa

O acordo de paz entre os EUA e o Irão, que será assinado na próxima sexta-feira na Suíça, trouxe alívio aos mercados petrolíferos — o crude caiu para abaixo dos 80 dólares por barril. No entanto, os economistas alertam que este alívio ainda não se refletiu na inflação da Zona Euro, que deverá continuar a subir a curto prazo antes de finalmente desacelerar.

Inércia inflacionista: o efeito desfasado

A inflação na Zona Euro atingiu 3,2% em maio, o valor mais elevado em mais de dois anos e meio. Embora a queda do petróleo seja um fator positivo para os preços da energia, os efeitos dos choques anteriores continuam a propagar-se pela economia durante semanas ou meses.

Os contratos de fornecimento, as cadeias logísticas e os preços dos bens intermédios incorporam o crude mais caro comprado em meses anteriores com um desfasamento considerável. Isto significa que, mesmo com o barril a descer, a inflação ao consumidor pode continuar a subir durante várias semanas.

O que significa para as taxas de juro?

O Banco Central Europeu (BCE) já subiu as taxas diretoras em 25 pontos base na reunião de 11 de junho — a primeira subida em quase três anos. A taxa de depósito está agora em 2,25% e a taxa de refinanciamento em 2,40%.

A questão que se coloca agora é: será esta a única subida ou virão mais? A presidente do BCE, Christine Lagarde, tem repetido que as decisões serão tomadas “reunião a reunião”, dependendo dos dados económicos. Se a inflação continuar a subir nos próximos meses, novos aumentos das taxas não estão excluídos.

Para quem tem crédito habitação a taxa variável, este cenário é particularmente relevante. A Euribor, que serve de referência para a maioria dos contratos em Portugal, acompanha de perto as expectativas sobre as taxas do BCE. Uma inflação mais persistente significa Euribor mais alta durante mais tempo.

Impacto na prestação da casa

Com as taxas Euribor já a refletir as expectativas de subida, a prestação média do crédito habitação em Portugal tem vindo a aumentar há oito meses consecutivos, situando-se agora nos 428 euros mensais. Qualquer novo agravamento das taxas diretoras terá um impacto direto nas prestações das famílias portuguesas.

Simulação prática: por cada 0,25 pontos percentuais de subida da Euribor a 12 meses, um empréstimo de 150.000 euros a 30 anos vê a prestação mensal aumentar cerca de 19 euros.

O que fazer?

Neste contexto de incerteza, existem opções para quem quer proteger-se de novas subidas:

  • Taxa mista: fixar a taxa durante os primeiros anos (3 a 10 anos) e depois voltar a variável
  • Taxa fixa: garantir uma prestação constante durante todo o empréstimo
  • Renegociação: renegociar o spread com o banco atual ou transferir o crédito para outra instituição

Em qualquer cenário, simular diferentes cenários é o primeiro passo para tomar uma decisão informada.

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Fonte: ECO — “Acordo reduz pressão mas inflação ainda deverá subir antes de desacelerar”, 17 de junho de 2026

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