A taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito habitação em Portugal caiu em maio para o valor mais baixo dos últimos três anos, segundo os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Boa notícia para as famílias, mas que esconde um paradoxo: o BCE acaba de voltar a subir as taxas de juro.
Como é possível a taxa cair se o BCE sobe os juros?
A resposta está na composição da carteira de crédito habitação em Portugal. A taxa de juro implícita é uma média ponderada de todos os contratos existentes — e cerca de 90% do crédito habitação em Portugal tem taxa variável, indexada à Euribor. No entanto:
- Muitos contratos são antigos e foram celebrados com spreads historicamente baixos (inferiores a 1%).
- As prestações mais recentes (com spreads mais altos) ainda têm um peso reduzido na média nacional.
- O alargamento dos prazos de pagamento, ao abrigo das medidas de apoio às famílias, também dilui o impacto das subidas.
O que esperar nos próximos meses?
A tendência de queda da taxa implícita pode estar prestes a inverter. Com a Euribor a 12 meses a saltar de 2,748% para 2,789% num só dia após a decisão do BCE, as novas subidas vão começar a fazer-se sentir nos contratos que forem sendo revistos.
Para as famílias que contrataram crédito habitação nos últimos 2–3 anos, o cenário é particularmente desafiante: spreads mais altos e Euribor em trajetória ascendente significam prestações que podem subir significativamente.
O que fazer agora?
- Simular a transferência de crédito — as condições atuais podem ser melhores do que as do contrato original.
- Avaliar a taxa mista — fixar a taxa durante 2 a 5 anos pode proteger o orçamento familiar de novas subidas.
- Amortizar capital — com a Euribor a subir, cada euro amortizado poupa mais juros futuros.
Fontes: Doutor Finanças, INE, Euribor Rates
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