O ouro continua a quebrar recordes. Esta sexta-feira, o metal precioso aproximou-se da barreira dos 4.200 dólares por onça, renovando máximos históricos e consolidando o seu estatuto de ativo de refúgio preferido dos investidores em tempos de incerteza.
Porque é que o ouro continua a subir?
Vários fatores convergem para esta escalada:
- Incerteza geopolítica: apesar do recente acordo no Médio Oriente, os investidores mantêm uma postura cautelosa
- Políticas monetárias: os bancos centrais continuam a gerir o delicado equilíbrio entre inflação e crescimento
- Diversificação de reservas: vários bancos centrais têm aumentado as suas reservas de ouro, reduzindo a dependência do dólar
- Pressões inflacionistas: a subida da inflação na Zona Euro levou o BCE a subir os juros em 25 pontos base, aumentando a procura por ativos de proteção
O que significa para os aforradores portugueses?
Com a Euribor a 12 meses nos 2,727% e os depósitos a prazo a oferecerem rendimentos modestos (muitos ainda abaixo de 2%), o ouro apresenta-se como uma alternativa de diversificação — embora com riscos diferentes.
Ao contrário de um depósito a prazo ou certificados de aforro, o ouro não gera rendimento periódico (juros ou dividendos). A rentabilidade depende exclusivamente da valorização do preço. Além disso, a volatilidade é significativamente superior.
Para quem tem crédito habitação, a prioridade deve continuar a ser reduzir a dívida ou renegociar condições mais favoráveis antes de considerar investimentos alternativos.
Ouro vs. certificados de aforro: qual a melhor escolha?
| Característica | Ouro | Certificados de Aforro |
|---|---|---|
| Rendimento | Valorização do preço | Juros trimestrais (série F: ~2,5%) |
| Liquidez | Elevada (mercado global) | Elevada (resgate a qualquer momento) |
| Risco | Volatilidade elevada | Capital garantido pelo Estado |
| Fiscalidade | Mais-valias tributadas a 28% | Juros isentos até determinado limite |
A resposta depende do seu perfil de risco e horizonte temporal. Para a maioria das famílias portuguesas, a combinação de amortização do crédito habitação + produtos de capital garantido continua a ser a estratégia mais adequada.
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