A subida recente das taxas de juro está a transformar profundamente o mercado de crédito habitação em Portugal. Pela primeira vez em anos, o peso da taxa variável nos novos contratos de crédito habitação atingiu o valor mais baixo de sempre, com cada vez mais famílias a optarem por soluções de taxa mista ou fixa para se protegerem da volatilidade das taxas Euribor.
O novo retrato do crédito habitação
De acordo com os dados mais recentes, a tendência é clara:
- Taxa variável: perde peso de forma consistente, representando cada vez menos nos novos contratos
- Taxa mista: é a grande vencedora, com períodos de fixação de 1, 2 e 5 anos a ganharem popularidade
- Taxa fixa: continua a ter expressão, especialmente para perfis mais conservadores
Esta mudança de comportamento reflete a perceção das famílias de que as taxas de juro dificilmente regressarão aos níveis excecionalmente baixos do passado recente. Com a Euribor a 12 meses nos 2,874% e o BCE a sinalizar que a inflação continuará acima dos 2%, a estabilidade tornou-se uma prioridade.
Bancos sobem juros dos depósitos a prazo
Paralelamente, os juros dos depósitos a prazo também subiram e nunca se investiu tanto em Portugal. Este movimento de dois sentidos — crédito mais caro e depósitos mais rentáveis — está a reconfigurar o panorama financeiro nacional.
Os bancos portugueses, como o BCP e a CGD, têm vindo a aumentar as taxas oferecidas nos depósitos a prazo, atraindo poupanças que antes estavam aplicadas em produtos de menor rentabilidade. A Caixa Geral de Depósitos viu recentemente o seu rating subir para A (alta) pela DBRS, com perspetiva estável, o que reforça a confiança no setor bancário nacional.
A nova taxa de esforço e o impacto no mercado
O Banco de Portugal anunciou que vai apertar as regras na concessão de crédito habitação, reduzindo o limite máximo da taxa de esforço de 50% para 45%. Esta medida deverá acelerar ainda mais a procura por créditos com taxa fixa e mista, já que estas modalidades permitem um cálculo mais previsível da taxa de esforço.
Para as famílias que já têm crédito habitação e estão com dificuldades, a renegociação continua a ser a melhor opção. Com a nova taxa de esforço mais apertada, pode ser mais difícil obter novo financiamento, mas a transferência de crédito continua a ser uma alternativa viável para quem procura melhores condições.
O que escolher: taxa variável, mista ou fixa?
A escolha entre os diferentes tipos de taxa depende do perfil de cada família:
- Taxa variável: indicada para quem prevê poder suportar variações na prestação e acredita numa descida das taxas a médio prazo
- Taxa mista: a opção mais equilibrada — garante estabilidade durante um período inicial (geralmente 1, 2 ou 5 anos) e depois passa a variável
- Taxa fixa: para quem valoriza a previsibilidade acima de tudo e prefere saber exatamente o valor da prestação durante todo o período do empréstimo
O mercado de crédito habitação em Portugal está a mudar rapidamente. As famílias que estão a pensar comprar casa ou renegociar o seu crédito devem procurar aconselhamento profissional para escolher a solução mais adequada ao seu perfil e às suas expectativas para o futuro.
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Fontes: Doutor Finanças, idealista.pt/news, Banco de Portugal