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Portugal inverte défice de novas casas pela primeira vez em 11 anos — o que muda no crédito habitação

BdP revela que construção de novas casas ultrapassou a formação de novos agregados familiares em 2025, invertendo défice de 300 mil casas. Saiba como esta viragem pode afetar o mercado imobiliário.

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Portugal inverte défice de novas casas pela primeira vez em 11 anos — o que muda no crédito habitação

Pela primeira vez em 11 anos, Portugal inverteu o défice de novas casas. Segundo o Boletim Económico de junho do Banco de Portugal (BdP), o número de novas habitações construídas ultrapassou a formação de novos agregados familiares em 2025, marcando um ponto de viragem no mercado imobiliário nacional.

Os números da viragem

O défice acumulado de habitações em Portugal era de aproximadamente 300 mil casas — o equivalente a todo o parque habitacional da cidade de Lisboa. Este défice resultou de um desfasamento prolongado entre a procura (novas famílias a formar-se) e a oferta (novas casas construídas).

Em 2025, esta tendência inverteu-se:

IndicadorValor
Novas habitações concluídas em 202526.700
Licenças de construção emitidas41.900 (máximo desde 2008)
Novos agregados familiares (2025)~20.000 (estimativa)

O que explica esta inversão? Dois fatores principais:

  1. Aumento da construção: as licenças de construção atingiram o valor mais elevado desde 2008, reflexo de anos de procura reprimida e de políticas de incentivo à oferta.

  2. Abrandamento da imigração: a entrada de imigrantes em Portugal passou de 13.200 por mês em 2024 para 6.200 por mês em 2025, reduzindo a pressão sobre a procura de habitação.

O que diz o governador do BdP

Álvaro Santos Pereira, governador do Banco de Portugal, foi claro: “O foco tem de estar na oferta, oferta, oferta.” A mensagem sublinha que a única forma sustentável de resolver o problema da habitação em Portugal é continuar a construir mais casas.

O que muda para quem quer comprar casa?

Esta inversão do défice habitacional é uma boa notícia para quem procura casa, por várias razões:

  • Pressão nos preços: maior oferta tende a aliviar a pressão sobre os preços das casas, embora este efeito demore tempo a sentir-se
  • Mais opções de escolha: com mais construções novas, há uma oferta mais diversificada no mercado
  • Crédito habitação: com mais imóveis disponíveis, o acesso ao crédito pode tornar-se menos competitivo, especialmente se os preços estabilizarem

No entanto, o governador alerta que ainda há um longo caminho a percorrer. O défice acumulado de 300 mil casas não se resolve num ano — serão precisos vários anos de construção a este ritmo para repor o equilíbrio.

O que esperar para 2026-2027

As perspetivas para os próximos anos são positivas:

  • As licenças de construção emitidas em 2025 (41.900) sugerem que 2026 e 2027 terão ainda mais casas concluídas
  • O abrandamento da imigração pode continuar a aliviar a procura
  • As taxas de juro mais altas do BCE reduzem a capacidade de endividamento, o que pode travar subidas excessivas de preços

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Fonte: ECO — “Portugal inverte défice de novas casas pela primeira vez em 11 anos”, 16 de junho de 2026. Dados do Boletim Económico do Banco de Portugal, junho de 2026.

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