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Portugal precisa de 70 mil casas novas por ano, mas construção fica aquém

Os promotores imobiliários alertam que Portugal necessita de construir 70 mil fogos por ano para responder à procura. A oferta atual está longe de acompanhar a procura, pressionando os preços.

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Portugal precisa de 70 mil casas novas por ano, mas construção fica aquém

Os promotores imobiliários lançaram um novo alerta: Portugal precisa de construir 70 mil novas casas por ano para fazer face à procura atual. O número foi avançado em declarações recentes ao idealista/news e representa quase o dobro do que o mercado tem conseguido colocar em construção nos últimos anos.

Um défice estrutural

Apesar da subida nos preços das casas e da procura sustentada — alimentada por compradores nacionais e internacionais — a construção nova em Portugal continua a um ritmo insuficiente. Segundo os dados mais recentes, o número de fogos novos colocados no mercado mais do que duplicou nos últimos 5 anos, mas ainda assim não chega para equilibrar a balança.

Este desequilíbrio estrutural entre oferta e procura é apontado como a principal causa para o aumento contínuo dos preços da habitação. Só em maio, o valor médio da avaliação bancária atingiu um novo recorde, superando os 2.200 euros por metro quadrado — uma subida que torna cada vez mais difícil o acesso à casa própria, especialmente para os jovens.

Porque é que não se constrói mais?

Os construtores e promotores apontam várias razões para a lentidão:

  • Burocracia no licenciamento — os processos camarários continuam a ser o principal “gargalo”, com prazos que podem ultrapassar dois anos.
  • Falta de mão de obra qualificada — o setor da construção tem dificuldade em atrair e reter trabalhadores.
  • Custo dos materiais — embora abaixo dos picos de 2022, os materiais de construção continuam caros face aos níveis pré-pandemia.
  • Disponibilidade de terrenos — a escassez de solo urbano classificado para construção habitacional limita novos projetos.

O impacto no crédito habitação

Para quem está a pensar comprar casa, o cenário é desafiante: os preços sobem, a oferta disponível é reduzida e as taxas de juro — apesar de estáveis — ainda estão em níveis elevados. A Euribor a 12 meses ronda os 2,69% e a 6 meses os 2,55%, o que significa prestações significativamente mais altas do que há dois anos.

No entanto, há também sinais positivos. O stock de crédito habitação registou a maior subida desde 2003, com um crescimento homólogo de 10,8%, o que indica que o mercado continua dinâmico e que os bancos mantêm apetite para financiar a compra de casa.

O que esperar nos próximos meses?

O governo tem anunciado medidas para tentar agilizar o licenciamento urbanístico, mas os resultados demoram a chegar ao terreno. Enquanto isso, a procura continua a crescer — em parte impulsionada pelo regresso de emigrantes e pela atratividade de Portugal para nómadas digitais e reformados estrangeiros.

Para os compradores, a mensagem é clara: num mercado com oferta limitada e preços a subir, estar bem informado e ter o crédito habitação aprovado antes de procurar casa é uma vantagem competitiva decisiva.


Fonte: idealista/news, Banco de Portugal

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