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Juros sobem: como proteger o orçamento familiar além do crédito habitação

A subida das taxas de juro do BCE não afeta apenas a prestação da casa. DECO alerta para os impactos no orçamento familiar e recomenda medidas práticas de proteção.

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Juros sobem: como proteger o orçamento familiar além do crédito habitação

A recente subida das taxas de juro por parte do Banco Central Europeu (BCE) — a primeira após sete reuniões consecutivas de manutenção — trouxe de volta a pressão sobre as finanças das famílias portuguesas. Mas o impacto vai muito além da prestação do crédito habitação.

Segundo a DECO, num artigo publicado esta semana, os juros mais altos afetam múltiplas dimensões do orçamento familiar: dos créditos pessoais aos cartões de crédito, passando pelo custo dos seguros e até pelas rendas de casa.

Impactos que vão além da prestação da casa

Quando o BCE sobe as taxas diretoras, os efeitos propagam-se por toda a economia:

  • Créditos pessoais e automóveis ficam mais caros. As taxas aplicadas a estes produtos sobem quase automaticamente, encarecendo o financiamento de bens de consumo.
  • Cartões de crédito com pagamentos fracionados veem as TAEG aumentar, tornando mais penalizador o recurso ao crédito revolving.
  • Seguros com componente de investimento (como os PPR sob a forma de seguro) podem ser afetados pela volatilidade dos mercados.
  • Rendas tendem a subir em cascata, à medida que os senhorios repercutem o aumento dos seus próprios créditos.

Cinco medidas práticas para proteger o orçamento

A DECO recomenda às famílias portuguesas que adotem uma postura proativa. Eis as cinco principais recomendações:

1. Reveja todos os seus créditos

Não é só a prestação da casa que merece atenção. Faça um levantamento de todos os créditos ativos: pessoais, automóveis, cartões de crédito. Identifique os mais caros (com TAEG mais elevada) e priorize a sua liquidação ou consolidação.

2. Consolide dívidas

Se tem vários créditos com taxas elevadas, a consolidação de créditos pode ser uma solução eficaz. Ao juntar várias prestações numa só, com uma taxa mais baixa e um prazo ajustado, consegue reduzir o esforço mensal e ganhar folga orçamental.

3. Crie um fundo de emergência

A almofada financeira recomendada é de 3 a 6 meses de despesas. Com juros mais altos, ter esta reserva disponível evita o recurso a crédito caro em situações imprevistas (reparações, saúde, desemprego).

4. Reveja os seus seguros anualmente

Os seguros multirriscos habitação e de vida são obrigatórios no crédito habitação, mas não precisam de ficar no mesmo banco. Comparar preços no mercado pode gerar poupanças de 20% a 40% ao ano.

5. Simule cenários e antecipe-se

Não espere que a prestação suba para agir. Utilize simuladores online para perceber quanto pagaria com a Euribor nos níveis atuais (2,781% a 12 meses) ou em cenários mais adversos. Se a diferença for significativa, considere fixar a taxa.

O crédito habitação continua a ser a prioridade

Apesar de todos os outros impactos, a prestação da casa é, para a maioria das famílias, a maior fatia do orçamento mensal. Por isso, otimizar o crédito habitação continua a ser a medida com maior potencial de poupança.

Transferir o crédito para outro banco com um spread mais baixo, renegociar o prazo ou optar por uma taxa mista são decisões que podem representar centenas de euros de poupança por ano. E com a concorrência bancária ainda forte em Portugal, nunca é um mau momento para pedir simulações.

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