O incumprimento no crédito habitação voltou a recuar em 2025 e mantém-se em mínimos históricos em Portugal. Ao mesmo tempo, as famílias amortizaram menos antecipadamente os seus empréstimos: o número de reembolsos totais ou parciais caiu 16,2% e o capital amortizado baixou 7,2% face a 2024, segundo dados do Banco de Portugal (BdP).
Um regresso à normalidade
Estes movimentos refletem um ambiente de taxas de juro em descida e alguma normalização do comportamento das famílias depois do pico de amortizações motivado pela crise das taxas Euribor em 2023 e 2024.
Durante o período em que a Euribor a 12 meses ultrapassou os 4%, muitas famílias recorreram às suas poupanças para amortizar créditos e reduzir a prestação mensal. Com a descida gradual das taxas desde o final de 2024, a pressão para amortizar diminuiu.
“A queda nas amortizações antecipadas é um sinal de que as famílias estão menos pressionadas e conseguem gerir melhor o seu orçamento mensal”, explicam analistas do setor.
Incumprimento em mínimos históricos
Apesar do choque inflacionista e da subida das taxas de juro dos últimos anos, o crédito malparado no setor da habitação continua em níveis residuais, abaixo de 1% da carteira total de crédito. Este valor contrasta fortemente com a crise financeira de 2011-2014, quando o incumprimento chegou a ultrapassar os 5%.
A manutenção de níveis baixos de incumprimento deve-se a vários fatores: o pleno emprego em Portugal, a almofada de poupança acumulada durante a pandemia, e as medidas de apoio do Governo, como a bonificação de juros para famílias com taxa de esforço elevada.
Vale a pena amortizar agora?
Com a Euribor a 12 meses atualmente nos 2,809% (uma subida face às últimas semanas), a decisão de amortizar ou não depende do perfil de cada família.
Se tem poupanças significativas e o seu crédito está indexado à Euribor a 12 meses com um spread elevado, amortizar pode fazer sentido — a taxa de juro continua acima dos 2,8%. Mas se o seu crédito foi renegociado recentemente com um spread competitivo, pode ser preferível manter a liquidez e investir as poupanças noutros produtos financeiros com rentabilidade superior.
Cada caso é único. Por isso, antes de tomar qualquer decisão, é fundamental simular diferentes cenários e perceber qual a opção mais vantajosa para o seu orçamento familiar.
Fonte: idealista/news com dados do BdP
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