Só 19% das casas têm seguro contra sismos: um risco que muitos ignoram
O recente sismo que abalou a Venezuela voltou a levantar uma questão incómoda em Portugal: quantas casas estão protegidas contra um evento sísmico? A resposta, segundo a Associação Portuguesa de Seguradores (APS), é preocupante: apenas 19% das habitações têm cobertura para fenómenos sísmicos.
Um país vulnerável
Portugal está localizado numa zona de atividade sísmica moderada, mas significativa. A falha Açores-Gibraltar, que passa a sul do território continental, é responsável por alguns dos sismos mais destrutivos da história do país, como o terramoto de 1755 que destruiu Lisboa.
Apesar disso, a esmagadora maioria dos proprietários não subscreve a cobertura sísmica — que é facultativa na maioria dos seguros multirriscos habitação. E o número não está a melhorar: a APS confirma que “a variação no último ano (2025) é residual”.
O que acontece se houver um sismo?
Sem seguro com cobertura sísmica, o proprietário não tem direito a indemnização da seguradora. Fica totalmente dependente de eventuais apoios do Estado — que, num cenário de catástrofe generalizada, seriam manifestamente insuficientes para tantas solicitações, com as prioridades a recaírem sobre operações de busca e salvamento.
Quanto custa adicionar a cobertura sísmica?
O custo adicional é geralmente baixo — entre 20€ e 60€ por ano, dependendo do valor de reconstrução da casa e da localização. Para um crédito habitação de 150.000€, o acréscimo mensal é irrisório comparado com a proteção oferecida.
Crédito habitação e seguros obrigatórios
É importante notar que, ao contratar um crédito habitação, o banco exige apenas o seguro contra incêndios (obrigatório por lei). A cobertura sísmica não é exigida, mas é fortemente recomendada — especialmente para imóveis nas regiões de Lisboa, Vale do Tejo e Algarve, onde o risco sísmico é mais elevado.
Se está a comprar casa ou a renovar o seu crédito habitação, aproveite para rever as coberturas do seu seguro. Um pequeno custo adicional pode fazer uma diferença enorme em caso de sinistro.
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Fontes: Jornal de Negócios / Sábado