Situações de Vida · 4 min de leitura · 5 de julho de 2026

Casar ou viver em união de facto: impacto financeiro

Vai casar ou viver em união de facto? Descubra o impacto financeiro, fiscal e patrimonial em Portugal e saiba como planear a sua vida a dois.

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Casar ou viver em união de facto: impacto financeiro

Dar o passo de viver em conjunto — seja pelo casamento ou pela união de facto — é um dos momentos mais marcantes da vida adulta. Mas entre a celebração e a casa partilhada, há um conjunto de decisões financeiras e fiscais que vão definir a relação com o dinheiro durante décadas. Este guia explica as diferenças práticas entre os dois regimes e ajuda-o a tomar decisões informadas.

Casar ou viver em união de facto? Em termos práticos, a união de facto (viver junto há mais de 2 anos) confere direitos semelhantes ao casamento em áreas como proteção da casa de morada de família, acesso a pensões e IRS conjunto — mas com diferenças importantes no regime de bens e na herança. O casamento oferece maior proteção patrimonial automática.

Os 4 regimes de bens do casamento

Comunhão de adquiridos (regime supletivo)

É o regime por defeito se não escolherem outro. Todos os bens adquiridos depois do casamento pertencem aos dois (50/50), independentemente de quem pagou. Os bens que cada um já tinha antes continuam a ser individuais. É o regime mais comum em Portugal.

Comunhão geral

Todos os bens — presentes, passados e futuros — passam a ser dos dois. É o regime de partilha máxima, mas raramente escolhido por casais jovens. Heranças e doações recebidas por um dos cônjuges entram na comunhão, salvo disposição em contrário do doador.

Separação de bens

Cada cônjuge mantém a propriedade exclusiva dos seus bens, tanto os que já tinha como os que adquirir depois. É obrigatório para casamentos depois dos 60 anos e recomendado quando um dos membros tem um negócio próprio ou dívidas significativas.

Regime dotal (em desuso)

Um regime histórico, praticamente abandonado na prática atual. Permitia que a mulher mantivesse um património separado (dote) administrado pelo marido. Caiu em desuso e raramente é constituído hoje em dia.

Casamento vs. união de facto: tabela comparativa

AspetoCasamentoUnião de facto
Regime de bensEscolha entre 4 regimes (adquiridos, geral, separação, dotal)Não existe regime automático; bens são individuais
IRS em conjuntoSim, automático ou opcionalSim, após 2 anos de vida em comum
Direitos sucessóriosCônjuge é herdeiro legitimárioNão é herdeiro automático; precisa de testamento
Pensão de viuvezSim, automáticaSim, se viveram juntos há mais de 2 anos
Proteção da casa de moradaProteção totalProteção semelhante
DissoluçãoDivórcio judicial ou por mútuo acordoBasta deixar de viver juntos (sem formalidades)
Custos de constituição120 € a 200 € (conservatória)Zero (mera situação de facto)
Na união de facto, não há direitos sucessórios automáticos. Se um dos membros falecer sem testamento, o sobrevivo pode perder o acesso à casa onde sempre viveram. Para evitar esta situação, o casal em união de facto deve fazer um testamento (custa entre 100 € e 200 € no notário) e nomear-se mutuamente como herdeiros.

Checklist: o que tratar antes de viverem juntos

  • Discutimos o regime de bens (no casamento) e escolhemos o mais adequado ao nosso património
  • Fizemos testamento (na união de facto) para garantir proteção mútua em caso de falecimento
  • Simulámos o IRS em conjunto vs. separado para perceber qual é mais vantajoso
  • Decidimos como dividir as despesas: conta conjunta, proporcional aos rendimentos ou 50/50
  • Revimos os beneficiários de seguros de vida, PPR e contas poupança
  • Informámo-nos sobre crédito habitação em conjunto e as vantagens fiscais para casais
  • Planeámos um fundo de emergência conjunto de pelo menos 6 meses de despesas
IRS em conjunto: quando compensa? O IRS conjunto é vantajoso quando há um desequilíbrio grande de rendimentos entre os dois — por exemplo, um ganha 2.500 €/mês e o outro 800 €. Neste caso, o englobamento reduz a taxa global do casal. Se ambos têm rendimentos elevados e semelhantes, o IRS separado pode ser melhor. Simulem os dois cenários no Portal das Finanças antes de decidir.

Casar ou viver em união de facto não é só uma decisão romântica — é também a decisão financeira mais importante que vai tomar na vida adulta. O regime de bens, a estratégia fiscal e o planeamento sucessório definem o futuro patrimonial do casal. Informe-se, discuta abertamente com o seu parceiro e tome as decisões com conhecimento.

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