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Ter um contrato a termo (certo ou incerto) não o impede de comprar casa — mas torna o processo mais difícil. Os bancos preferem contratos sem termo porque representam estabilidade. Com a abordagem certa, documentação adequada e algumas estratégias, é possível contornar este obstáculo e conseguir a aprovação do crédito.
O que o banco analisa no seu contrato a termo
1. Tempo restante de contrato
Quanto mais longe estiver a data de fim, melhor. Um contrato com 18-24 meses pela frente é muito mais bem visto do que um com 3 meses. Regra geral, o banco quer ver pelo menos 12 meses de contrato ativo a partir da data do pedido.
2. Histórico de renovações
Se já teve 2 ou 3 renovações do contrato a termo na mesma empresa, o banco interpreta isto como estabilidade — apesar do vínculo precário. Apresente todos os contratos anteriores e recibos de vencimento que provem a continuidade laboral na mesma entidade.
3. Probabilidade de efetivação
O banco valoriza sinais de que o contrato a termo se vai tornar sem termo. Uma declaração da entidade patronal indicando a intenção de renovar ou efetivar, a dimensão da empresa e o setor de atividade (público vs. privado) são fatores que pesam na decisão.
Estratégias para aumentar a aprovação
| Estratégia | Como ajuda | Dica extra |
|---|---|---|
| Entrada superior a 20% | Menor risco para o banco, maior confiança na operação | Se possível, aponte para 25-30% de entrada |
| Fiador com contrato sem termo | Reduz o risco e dá segurança adicional ao banco | Pode ser um familiar direto com rendimentos estáveis |
| Declaração da entidade patronal | Documento escrito com intenção de renovar/efetivar | Peça que mencione a avaliação positiva do desempenho |
| Antiguidade na empresa | Histórico de 2+ anos na mesma entidade (com renovações) | Mostra continuidade e satisfação do empregador |
| Contrato setor público | Contratos a termo na função pública são mais valorizados | Função pública é vista como empregador estável |
💰 Exemplo prático — Contrato a termo certo de 2 anos:
- Pedro trabalha numa empresa de IT com contrato a termo certo de 2 anos, a terminar em 18 meses. Já teve uma renovação anterior.
- Rendimento: 1.800 € líquidos/mês.
- Entrada disponível: 40.000 € para uma casa de 180.000 € (22%).
- Com fiador (pai, contrato efetivo, 2.000 €/mês).
- Declaração da empresa confirmando intenção de efetivar findo o contrato.
- Resultado: Aprovado. Prestação de 650 €/mês (taxa de esforço 36%).
- Moral da história: A combinação de entrada elevada + fiador + declaração patronal compensou a precariedade do vínculo.
Documentação adicional recomendada
- Contrato de trabalho atual com data de início e termo claras
- Todos os contratos anteriores na mesma entidade (para provar renovações)
- Últimos 6 recibos de vencimento — consistentes, sem quebras
- Declaração da entidade patronal com intenção de renovar/efetivar
- IRS dos últimos 3 anos — mesmo que parte tenha sido com outros empregadores
- Mapa de responsabilidades do BdP — limpo e atualizado
- Comprovativo de poupanças (entrada + fundo de emergência)
Conclusão
Comprar casa com contrato a termo exige mais jogo de cintura, mas está longe de ser impossível. A chave está em jogar com várias cartas ao mesmo tempo: uma entrada robusta, um fiador de confiança, documentação que prove continuidade e, se possível, uma declaração da empresa. E lembre-se: um contrato a termo renovado 3 vezes na mesma empresa pode valer tanto aos olhos do banco como um contrato sem termo — desde que bem documentado.