Serviço gratuito de intermediação de crédito
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Entrar em incumprimento — ou seja, deixar de pagar um crédito — é uma das situações mais stressantes que uma família pode enfrentar. Mas entre “ter dificuldades” e “deixar de pagar”, existe um caminho com várias opções que muitos portugueses desconhecem. Este guia explica o que fazer antes de atingir o ponto de rutura.
8 passos concretos antes de deixar de pagar
Passo 1: Faça um diagnóstico realista das suas contas
Pegue numa folha de papel ou Excel e liste todos os seus rendimentos (salários, subsídios, pensões) e todas as suas despesas fixas (créditos, renda, utilities) e variáveis (alimentação, transportes). O objetivo é perceber exatamente qual é o défice mensal. Muitas vezes o buraco é mais pequeno do que parece — e mais fácil de tapar.
Passo 2: Corte todas as despesas não essenciais
Antes de negociar com o banco, mostre que já fez o trabalho de casa. Cancele subscrições de streaming, ginásio, TV por cabo premium. Reduza o orçamento de supermercado. Suspenda férias e jantares fora. Apresentar ao banco uma lista de cortes já concretizados demonstra seriedade e pode fazer a diferença na negociação.
Passo 3: Contacte o banco antes da prestação vencer
Não espere pelo incumprimento. Ligue para o seu gestor de conta ou para a linha de apoio ao cliente e diga: "Estou com dificuldades temporárias e quero encontrar uma solução antes de falhar um pagamento." Os bancos são obrigados a integrar os clientes em dificuldades no PERSI (Procedimento Extrajudicial de Regularização de Situações de Incumprimento) e a apresentar propostas de regularização.
Passo 4: Peça a revisão das condições do crédito
Solicite formalmente uma renegociação: alargamento do prazo (reduz a prestação mensal, mas aumenta o total de juros), período de carência de capital (paga apenas juros durante 6–12 meses) ou redução do spread. O banco prefere renegociar a entrar em incumprimento — também não quer ficar com um crédito malparado.
Passo 5: Consolide créditos, se fizer sentido
Se tem vários créditos em vários bancos, a consolidação pode reduzir significativamente a prestação mensal total. Atenção: a TAEG do crédito consolidado pode ser mais alta e o prazo mais longo. Use esta opção com cautela e compare com a renegociação individual de cada crédito — a matemática nem sempre favorece o consolidado.
Passo 6: Procure apoios sociais e subsídios a que tem direito
Verifique se tem direito ao subsídio de desemprego, ao abono de família, ao complemento solidário para idosos, à tarifa social de energia ou ao apoio extraordinário à renda. Muitas famílias em dificuldades não recebem apoios a que legalmente têm direito por desconhecimento. A Segurança Social e as juntas de freguesia podem ajudar a identificar estas prestações.
Passo 7: Envolva a família e crie um plano conjunto
Se vive em casal ou em família, o plano de recuperação tem de ser conjunto. Sente-se à mesa, mostre os números, defina um objetivo comum e atribua responsabilidades. Não esconda a situação do cônjuge — o problema é dos dois e a solução também tem de ser dos dois. Um plano partilhado é sempre mais robusto do que um plano solitário.
Passo 8: Consulte um especialista ou mediador de crédito
Se as negociações diretas com o banco não avançarem, recorra a um intermediário de crédito ou a um gabinete de apoio ao sobre-endividado. A DECO, a Associação Portuguesa de Bancos (APB) e vários mediadores especializados podem ajudar a negociar condições mais favoráveis, muitas vezes com acesso a soluções que não são oferecidas espontaneamente ao balcão.
O que acontece se nada disto funcionar?
| Cenário | Consequência | Ainda há solução? |
|---|---|---|
| Atraso de 1 a 30 dias | Penalização contratual (juros de mora), entra no registo interno de risco do banco | ✅ Sim — renegocie imediatamente |
| Incumprimento superior a 90 dias | Comunicação à Central de Responsabilidades de Crédito (CRC) do Banco de Portugal | ✅ Sim — mas as soluções são mais caras e limitadas |
| Incumprimento prolongado (>6 meses) | Ação judicial, penhora de bens, penhora do salário até 2/3 do vencimento | ⚠️ Muito difícil — evite a todo o custo |
| Fim do PERSI sem acordo | Extinção do procedimento, processo judicial | ⚠️ Pode levar à insolvência pessoal |
Checklist: antes de entrar em incumprimento
- Fiz um diagnóstico completo de todos os meus rendimentos e despesas mensais
- Cortei todas as despesas não essenciais e documentei os cortes para apresentar ao banco
- Contactei o banco antes da prestação vencer e sinalizei as dificuldades
- Pedir a integração no PERSI e solicitei propostas de regularização
- Explorei apoios sociais a que possa ter direito (Segurança Social, tarifa social)
- Envolvi a família no plano de recuperação financeira
- Consultei a DECO ou um mediador de crédito se as negociações diretas não avançaram
🧾 Exemplo prático: evitar o incumprimento de um crédito habitação
A Carla, 38 anos, perdeu o emprego e tem um crédito habitação com prestação de 550 €/mês. Rendimento do cônjuge: 1.100 €/mês. Em vez de esperar, fez o seguinte:
- Contactou o banco no dia seguinte ao despedimento — mesmo antes de a prestação seguinte vencer
- Apresentou os cortes já feitos: 120 €/mês em subscrições e ginásio
- Pediu um período de carência de capital de 12 meses — a prestação baixou para 180 €/mês (apenas juros)
- Inscreveu-se no centro de emprego e candidatou-se ao subsídio de desemprego (~700 €/mês)
Resultado: conseguiu 12 meses de margem para encontrar novo emprego sem entrar em incumprimento e sem manchar o seu histórico de crédito.
Conclusão
Entrar em incumprimento não é inevitável, mas exige ação rápida e proativa. O maior erro é o silêncio — não responder às cartas, não atender o telefone, esperar que o problema desapareça. O segundo maior erro é agir tarde demais. Entre em contacto com o banco antes de falhar o primeiro pagamento: as soluções são mais numerosas, mais flexíveis e menos dolorosas. Aja hoje.