Dívidas e Proteção Financeira · 6 min de leitura · 5 de julho de 2026

PARI e PERSI: o que são

Guia completo sobre PARI e PERSI: o que significam, como funcionam, os seus direitos e deveres nestes procedimentos. Informação essencial para quem tem dívidas bancárias em Portugal.

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PARI e PERSI são dois conceitos fundamentais que todos os portugueses com créditos bancários devem conhecer — especialmente quem está em risco de incumprimento. Regulados pelo Decreto-Lei n.º 227/2012, estes procedimentos foram criados para proteger os consumidores e promover soluções negociadas antes do recurso aos tribunais. Este guia explica tudo o que precisa de saber.

Desconhecer o PARI e o PERSI pode custar-lhe caro: muitas famílias entram em incumprimento sem saber que tinham direito a um procedimento de negociação supervisionado. Se está com dificuldades, o banco é obrigado a integrá-lo no PERSI assim que as dificuldades forem sinalizadas — por si ou pelo próprio banco.

PARI — Plano de Ação para o Risco de Incumprimento

O que é o PARI?

O PARI — Plano de Ação para o Risco de Incumprimento é um conjunto de políticas e procedimentos internos que todas as instituições de crédito a operar em Portugal são obrigadas a ter. É o plano que o banco segue para detetar, monitorizar e gerir clientes em risco de incumprimento. O PARI não é uma negociação com o cliente — é o manual interno do banco.

O que o PARI obriga o banco a fazer?

O PARI obriga o banco a: 1) monitorizar proativamente os créditos dos clientes e detetar sinais precoces de dificuldades; 2) avaliar a capacidade financeira do cliente antes de conceder ou reestruturar um crédito; 3) contactar o cliente assim que detetar risco de incumprimento; 4) propor soluções adequadas à situação financeira real do cliente — não soluções genéricas. O não cumprimento do PARI pelo banco é punível pelo Banco de Portugal.

Princípios fundamentais do PARI

O PARI assenta em quatro princípios: deteção precoce (agir antes do incumprimento), avaliação rigorosa (analisar a real capacidade financeira do cliente), soluções adequadas (propor medidas proporcionais à gravidade da situação) e acompanhamento contínuo (monitorizar a eficácia da solução ao longo do tempo).

PERSI — Procedimento Extrajudicial de Regularização de Situações de Incumprimento

O PERSI é a parte do PARI que envolve diretamente o cliente. É o procedimento de negociação propriamente dito.

Como funciona o PERSI passo a passo

FaseO que acontecePrazos
1. SinalizaçãoO banco deteta risco de incumprimento (ou o cliente sinaliza voluntariamente)Imediato — a partir do 1.º dia de dificuldades
2. Integração no PERSIO banco integra formalmente o cliente no procedimento e comunica-lheO cliente é informado nos 5 dias seguintes à integração
3. Avaliação da situaçãoO banco analisa a capacidade financeira do cliente e as causas das dificuldadesSem prazo fixo, mas deve ser célere
4. Proposta de regularizaçãoO banco apresenta uma ou mais propostas de solução ao clienteDeve ser apresentada no prazo máximo de 30 dias
5. Resposta do clienteO cliente aceita, rejeita ou pede alterações à propostaSem prazo legal, mas o silêncio pode levar à extinção do PERSI
6. Acordo ou extinçãoSe houver acordo, celebra-se um novo plano de pagamentos. Se não houver, o PERSI extingue-seO PERSI extingue-se até 91 dias após o incumprimento
📋 Direitos do cliente no PERSI: Tem direito a ser informado da sua integração no PERSI, a ser ouvido pelo banco, a receber propostas escritas com todas as condições (montantes, prazos, TAEG, MTIC), a apresentar contrapropostas e a ser tratado com respeito e dignidade durante todo o processo. Se o banco não cumprir, pode apresentar queixa ao Banco de Portugal.

Deveres do cliente no PERSI

  • Fornecer informação verdadeira e completa sobre a sua situação financeira, rendimentos e despesas
  • Responder atempadamente às comunicações e propostas do banco — o silêncio extingue o PERSI
  • Colaborar de boa-fé com o banco durante todo o procedimento
  • Manter os seus contactos atualizados (morada, telefone, email) para receber as comunicações
  • Cumprir o plano de pagamentos acordado — se o PERSI resultar em acordo, o incumprimento desse acordo pode ter consequências graves

O que acontece quando o PERSI se extingue sem acordo?

⚠️ Consequências da extinção do PERSI sem acordo:

  • O banco pode avançar para ação judicial para cobrar a dívida
  • O crédito passa a ser reportado como incumprimento na Central de Responsabilidades de Crédito (CRC) do Banco de Portugal
  • O cliente perde a proteção do procedimento extrajudicial
  • Podem iniciar-se penhoras de bens, salários ou contas bancárias
  • Em casos extremos, pode levar a um processo de insolvência pessoal
💡 PERSI e crédito habitação: No crédito habitação, o PERSI tem especial importância. O banco não pode iniciar uma ação de execução hipotecária (penhora da casa) sem antes ter cumprido todas as obrigações do PERSI. Se o banco avançar para tribunal sem ter oferecido soluções razoáveis via PERSI, o cliente pode defender-se judicialmente com base no incumprimento do banco. Guarde todas as comunicações escritas com o banco — são a sua prova.

PARI vs PERSI: qual é a diferença?

PARIPERSI
O que é?Política interna do bancoProcedimento de negociação com o cliente
Quem está abrangido?Todos os clientes com créditoClientes em risco ou em incumprimento
O cliente é notificado?Não — é um plano internoSim — o cliente é formalmente integrado e informado
Prazo máximoContínuo (monitorização permanente)91 dias após o incumprimento
ResultadoOrienta a atuação do bancoAcordo de regularização ou extinção (sem acordo)
Consequência do incumprimento pelo bancoSanções do Banco de PortugalDefesa judicial do cliente, impossibilidade de execução

Conclusão

O PARI e o PERSI foram criados para proteger os consumidores, mas só funcionam se o cliente os conhecer e participar ativamente. Se está com dificuldades financeiras, não espere — sinalize imediatamente ao banco e peça a integração no PERSI. Responda às comunicações, apresente a sua situação com transparência e negoceie de boa-fé. O pior que pode fazer é ignorar o processo — o silêncio fecha a porta à solução extrajudicial e abre a porta ao tribunal.

Tem dúvidas sobre o PARI, o PERSI ou como ativar estes mecanismos de proteção? Fale connosco. [Falar com um Especialista →](/contacto/)
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