Crédito Pessoal / Consumo · 5 min de leitura · 5 de julho de 2026

Crédito para formação ou estudos

Crédito para formação e estudos em Portugal: opções, taxas, prazos de carência e alternativas ao crédito tradicional.

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Investir em formação é investir no futuro. Seja uma licenciatura, mestrado, pós-graduação ou um curso profissional, o custo pode ser um obstáculo. Felizmente, existem várias formas de financiar os estudos ou a formação profissional em Portugal — e o crédito tradicional é apenas uma delas.

O crédito para formação não é um crédito ao consumo comum. Muitos bancos oferecem condições especiais: TAEGs reduzidas, prazos de carência (pagar apenas depois do curso) e períodos de diferimento de capital. Mas atenção: durante a carência, os juros continuam a acumular.

Opções de financiamento para formação

Crédito pessoal para formação (bancário)

Modalidade específica oferecida por vários bancos portugueses. Características típicas: TAEG entre 4% e 8%, montantes até 50.000 € e carência de capital durante o período de estudos (1 a 5 anos).

Crédito pessoal standard

Se não encontrar condições específicas para formação, pode recorrer a um crédito pessoal comum. TAEGs mais elevadas (6%–12%), mas com a vantagem de não exigir comprovativo de matrícula e ser mais flexível quanto à utilização do montante.

Bolsas e apoios estatais

A DGES atribui bolsas de estudo com base no rendimento do agregado familiar. Não é um empréstimo — não tem de ser reembolsado. Verifique sempre a elegibilidade antes de recorrer a crédito. O valor máximo pode cobrir a totalidade da propina.

Tabela comparativa: opções de financiamento

OpçãoTAEG típicaCarênciaMontante máximoReembolso
Crédito formação (bancário)4% – 8%✅ Sim (1–5 anos)Até 50.000 €Após o curso
Crédito pessoal standard6% – 12%❌ NãoAté 75.000 €Imediato
Bolsa DGES0% (não é crédito)Propina + subsídioNão reembolsável
Poupança antecipada0%O que tiverNão aplicável

Como funciona o período de carência

A carência de capital é a grande vantagem do crédito formação. Durante o curso, paga apenas os juros (ou, em alguns casos, nada). O capital só começa a ser amortizado depois de terminar os estudos.

Exemplo: Mestrado de 15.000 €, TAEG de 5%, carência de 2 anos (curso) + 6 meses pós-curso

  • Durante o curso (24 meses): paga apenas juros — cerca de 62 €/mês
  • Após o curso (36 meses de amortização): prestação de ≈ 450 €/mês
  • MTIC total: ≈ 17.200 €

Sem carência (crédito pessoal standard, mesma TAEG, 60 meses):

  • Prestação desde o início: ≈ 283 €/mês
  • MTIC total: ≈ 16.980 €

A carência oferece alívio financeiro durante os estudos, mas o custo total pode ser ligeiramente superior devido ao período adicional de juros.

Antes de contratar crédito para formação, faça as contas ao retorno esperado: se o curso vai aumentar o seu rendimento em 300 €/mês, um crédito que custa 283 €/mês durante 5 anos paga-se a si próprio. Mas se a melhoria salarial for incerta ou modesta, reavalie o investimento.

Alternativas ao crédito tradicional

  • Bolsas de mérito — além das bolsas DGES, muitas universidades e fundações têm bolsas por mérito académico que não exigem reembolso
  • Plano de poupança antecipada — se o curso é para daqui a 2 ou 3 anos, um PPR ou depósito a prazo pode evitar a necessidade de crédito
  • Formação financiada pelo empregador — muitas empresas cobrem total ou parcialmente cursos relevantes para a função. Negocie esta possibilidade
  • Cursos online e opções mais acessíveis — plataformas como Coursera, edX e universidades portuguesas oferecem formações de qualidade por uma fração do custo presencial
  • Pagamento faseado da propina — a maioria das instituições de ensino permite pagar a propina em prestações sem juros durante o ano letivo
Se trabalha e estuda ao mesmo tempo, as despesas de formação podem ser dedutíveis em IRS (categoria de despesas de educação, até ao limite legal). Guarde todas as faturas com NIF e confirme a elegibilidade com um contabilista.

Checklist: antes de pedir crédito para formação

PassoO que fazer
1.ºVerificar elegibilidade para bolsa DGES ou bolsas de mérito
2.ºNegociar com o empregador (se aplicável)
3.ºPerguntar sobre pagamento faseado na instituição de ensino
4.ºSimular crédito formação em pelo menos 3 bancos
5.ºComparar TAEG, MTIC e condições de carência
6.ºConfirmar possibilidade de amortização antecipada sem penalização

O crédito para formação é um investimento em si próprio — mas como qualquer investimento, deve ser analisado com cuidado. Comece pelas opções gratuitas ou não reembolsáveis e só depois avance para o crédito.

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