Glossário Financeiro · 6 min de leitura · 5 de julho de 2026

O que é incumprimento

Incumprimento de crédito: o que significa, quais as consequências legais e financeiras, o que acontece quando deixa de pagar um empréstimo e como evitar entrar em incumprimento.

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O incumprimento — também conhecido como default ou crédito em incumprimento — é a situação em que o devedor deixa de cumprir com as suas obrigações de pagamento de um crédito. Em Portugal, o Banco de Portugal define que um crédito entra em incumprimento quando a prestação está em atraso há mais de 90 dias ou quando há indícios objetivos de que o devedor não conseguirá pagar. As consequências são sérias: vão desde penalizações financeiras até à penhora de bens e à inscrição em listas de devedores.

⚠️ Incumprimento não acontece de um dia para o outro — mas os primeiros dias são decisivos: Um atraso de 30 dias já gera comissões, juros de mora e comunicação à Central de Responsabilidades de Crédito (CRC) do Banco de Portugal. Aos 90 dias, o crédito é classificado como *non-performing* e o banco pode avançar com ações judiciais. Se prevê dificuldades, contacte o banco antes da primeira prestação falhar — a renegociação ou o PERSI (plano de ação para risco de incumprimento) podem evitar consequências graves.

Os três estágios do incumprimento

FasePrazo de atrasoO que aconteceConsequências imediatas
Pré-incumprimento1 a 30 diasO banco envia lembretes e contactos telefónicosComissão de recuperação (~10 € a 20 €). Juros de mora começam a contar
Incumprimento30 a 90 diasComunicação à CRC. O crédito é sinalizado como “em incumprimento”Nome na “lista negra” do Banco de Portugal. Agravamento do spread e bloqueio de novo crédito
Incumprimento graveMais de 90 diasO banco pode avançar para tribunal e exigir a totalidade da dívidaPenhora de salários e bens. Hipoteca executada. Leilão de imóvel
📋 O que é a CRC e como o incumprimento afeta o seu histórico? A Central de Responsabilidades de Crédito é a base de dados do Banco de Portugal onde todos os seus créditos ficam registados — ativos, liquidados e em incumprimento. Um registo de incumprimento fica visível para todas as instituições financeiras e permanece na CRC durante 5 anos após a regularização da dívida. Mesmo depois de pagar tudo, o seu histórico fica manchado por meia década — o que dificulta (ou impossibilita) a obtenção de novo crédito.

Consequências do incumprimento

🧾 O verdadeiro custo de uma prestação falhada:

A Margarida tem um crédito pessoal de 10.000 € com prestação mensal de 250 €. Perdeu o emprego e falhou três prestações. Eis o que aconteceu:

  • Capital em dívida: 10.000 €
  • Prestações em atraso (3 meses): 750 €
  • Juros de mora (taxa contratual + sobretaxa de 3%): ~ 50 €
  • Comissões de recuperação (3 meses): ~ 60 €
  • Total devido ao fim de 3 meses: 10.860 €
  • Registo CRC: crédito sinalizado como “em incumprimento” durante 5 anos
  • Consequência: impossibilidade de obter qualquer financiamento durante esse período

Em apenas 3 meses, a Margarida passou de uma prestação atrasada para um registo que a impede de pedir crédito durante meia década.

O que fazer antes de entrar em incumprimento

  • Contacte o banco assim que antecipar dificuldades — a maioria das instituições prefere renegociar a executar a dívida
  • Peça a adesão ao PERSI — o Plano de Ação para o Risco de Incumprimento é um direito legal que lhe dá proteção extra durante a renegociação
  • Solicite um período de carência — pode pedir uma pausa nas prestações, embora os juros continuem a contar
  • Renegocie o prazo — alargar o prazo reduz a prestação e pode torná-la comportável de novo
  • Consolide créditos — se tiver vários, a consolidação pode reduzir a prestação total em 30% a 50%
  • Procure apoio especializado — gabinetes de apoio ao endividado (RIZE, Deco, entre outros) prestam aconselhamento gratuito
  • Nunca ignore as comunicações do banco — ignorar notificações agrava as penalizações e acelera a via judicial

Incumprimento vs. dívida prescrita

Uma dívida não prescreve pelo simples facto de estar em incumprimento. Os prazos de prescrição em Portugal são longos: 20 anos para créditos hipotecários e 5 anos para créditos pessoais, contados a partir da data de vencimento de cada prestação. Durante esse período, o credor pode exigir o pagamento judicialmente. O incumprimento não desaparece com o tempo — só a regularização ou a prescrição (findo o prazo legal) resolvem a situação.

Incumprimento e penhora de salário

Se o banco avançar para tribunal e obtiver uma sentença favorável, pode penhorar parte do seu salário. Os limites legais: até 1/3 do vencimento líquido para dívidas comuns, mas nunca pode penhorar abaixo do salário mínimo nacional (820 € em 2026). Para pensões, o limite é 1/3, com proteção de até 3 vezes o salário mínimo. A penhora do salário é uma das consequências mais sérias do incumprimento prolongado.

💡 O PERSI é o seu melhor aliado contra o incumprimento: Desde 2018, todos os bancos em Portugal são obrigados a oferecer o PERSI — um plano que lhe dá proteção legal enquanto o banco avalia a sua situação financeira e propõe soluções. Durante a vigência do PERSI, o banco não pode resolver o contrato, não pode recorrer a tribunais e não pode ceder o crédito a terceiros. É uma "rede de segurança" que lhe dá tempo para reorganizar as finanças. Peça-o por escrito — é um direito seu.

Conclusão

O incumprimento é uma das situações mais graves em que um consumidor financeiro se pode encontrar. Penalizações, juros de mora, registo na CRC durante 5 anos, impossibilidade de obter novo crédito, penhora de bens e de salário — as consequências acumulam-se rapidamente. A melhor estratégia é sempre a prevenção: se antecipar dificuldades, contacte o banco antes da primeira prestação falhar. Há soluções — renegociação, PERSI, carência, consolidação — mas o tempo é o fator mais crítico. Atue cedo.

Está com dificuldades em pagar as prestações ou em risco de incumprimento? Fale connosco — ajudamos a encontrar a melhor solução antes que a situação se agrave.

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